Osteonecrose de Mandíbula

Por Higia Faetusa

A osteonecrose de mandíbula ou maxilar é uma alteração patológica óssea que pode advir de uma complexa interação entre o metabolismo ósseo, trauma local, infecção, hipovascularização e o uso de bifosfonatos. Os pacientes que fazem uso de bifosfonatos administrados por via parenteral, segundo estudo da American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS), são mais susceptíveis à osteonecrose mandibular ou maxilar do que os tratados por via oral. Fatores sistêmicos como diabetes mellitus, imunossupressão, uso de outras medicações concomitantes, como agentes quimioterápicos, radioterapia e corticoesteróides, ou ainda complicação pós-cirurgia ortognática, desordem hematológica, principalmente em pacientes de doença falciforme, que frequentemente apresentam necrose da cabeça do fêmur, também podem desenvolver quadro de necrose avascular da cabeça da mandíbula.

Nas fases iniciais os pacientes não apresentam sintomas específicos, por isso deve-se ficar alerta a sinais como dor constante e pulsátil, exacerbada pela movimentação da articulação, cefaleia, otalgia (dor de ouvido), espasmo e dor da musculatura mastigadora, limitação da abertura da bucal, crepitação, etc. A osteonecrose é muitas vezes progressiva e pode criar extensas áreas de exposição óssea e deiscência. Quando os tecidos estão gravemente afetados, os pacientes podem queixar-se de dor intensa e falta de sensibilidade (parestesia).

Os exames de imagem são imprescindíveis para o correto diagnóstico, a fim de distingui-la de outros mais comuns, como sinusite, gengivite/periodontite, cáries, osteíte alveolar, patologia periapical, alterações da articulação temporo mandibular, tumor primário da mandíbula, metástase tumoral e osteomielite da mandíbula. Nas radiografias convencionais não se detecta alterações estruturais e sim morfológicas. Com a ressonância magnética ou tomografia computadorizada detecta-se este tipo de patologia, mesmo em lesões iniciais. Um importante marcador sanguíneo de supressão óssea é o teloptídeo c-terminal sérico (CTX), muito útil para o clínico avaliar riscos de exposição do osso, principalmente quando o paciente for submetido a procedimentos invasivos.

O tratamento é focado no controle da progressão do quadro e procura limitar os efeitos da infecção secundária, por meio de terapia antibiótica prolongada, limpeza da área com antissépticos tópicos (Clorexidina 0,12%), e pequenas intervenções em regime de ambulatório de debridamento (remoção de tecido desvitalizado) local. Entre outros tratamentos estão o uso de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) autólogo, oxigenoterapia hiperbárica, laser de baixa potência, antibioticoterapia e uso de corticóides. Esses tratamentos visam a uma melhora definitiva desta complicação, porém não existem relatos na literatura que comprovem a sua eficácia absoluta. 

 

 

286 thoughts on “Osteonecrose de Mandíbula

  1. GILCEU PACE says:

    Para análise dos sintomas é necessário mais detalhes se o tratamento com o bifosfonato foi via endovenosa ou oral, associação de outras doenças, medicamentos de uso contínuo,idade,etc Sua queixa parece não estar associada ao uso do bifosfonato. É um problema pre existente ao uso da medicação que se acentuou pelo aumento do stress.

  2. Maria Lúcia says:

    Sou portadora de osteoporose e faço uso de osteoban. Há dois anos fiz implantes dentários e a partir de então sinto muita sensibilidade (choquinhos) na região esquerda da mandíbula inferior. Falo ao meu dentista e ele responde que é devido à ligação de tecidos nervosos. A medicação descrita tem algo a ver?

    • Gilceu Pace says:

      Maria Lucia – Preciso de mais detalhes. Por quanto tempo tomou osteoban antes do implante? Qual o esquema de dose utilizada? Que outras drogas toma regularmente para outras doenças sistêmicas cronicas? Faz uso de corticoide e qual? Qual a sua idade? Até o momento, quais os meios terapêuticos o dentista lançou mão para tratar sua queixa? Quais os exames de imagem possui antes dos implantes e atual de controle? É temerária qualquer resposta sem o conjunto de informações e lógico a avaliação clínica do caso. Todos os detalhes têm relação direta ou indireta com seu problema. É necessário o diagnostico para se estabelecer a terapêutica. Dr.Gilceu Pace

    • Gilceu Pace says:

      Maria Lucia – Houve alteração na interpretação da minha resposta. Seu problema tem muito haver com o uso do bifosfonato que leva a um estado subclinico de necrose óssea.

  3. Raquel Romeu says:

    Olá. fiz tratamento de câncer a deseseis anos de nasofaringe e fiz radioterapia.Agora apresento um quadro clinico de osteonecrose mandibular causada pela radioterapia. No entanto a cidade que moro não tem tratamento- Rio Branco – Acre. poderia me informar quais hospitais que fazem esse acompanhamento no Brasil?

  4. Ivete Brentel Fernandes says:

    Tomei três injeções de Aclasta (ácido zoledrônico) sendo uma por ano e agora já está na hora de tomar a quarta,o motivo é que sou alérgica ao cálcio via oral e o dr.disse que tinha esta opção, e há, uns quatro meses,comecei a sentir forte cheiro ruim pelas narinas e agora pelo hálito (tipo podre) já fiz tomografia dos seios da face, deu problemas extra, que foi nos implantes, moro no ABC SP.com esta leitura estou achando que pode ser osteonecrose da mandíbula,tem uma indicação, onde posso tratar esse problema? Muito obrigada.

  5. ANA ALICE DIASa says:

    o que pode causar o uso de ostetec faço uso a 4 meses e me apreceu dor na mandibula fiquei apreensiva quando li a bula o que de mais grave este remedio pode causar.

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