A Dor Crônica no Lúpus e os Desafios de seu Tratamento

Conviver com a dor crônica no lúpus é algo frequente. O lúpus eritematoso sistêmico (LES) também é uma doença inflamatória. Inflamação é a forma como o seu corpo reage a lesões, ou a intrusão de qualquer coisa que seja considerado um inimigo. Quando algo está inflamado, pode ficar não apenas desconfortável e sensível ao toque, mas também fortemente doloroso.

Este artigo serve como uma visão geral de alguns dos tipos de dor que são comuns no paciente com lúpus, e como podemos tratar a dor que um indivíduo com lúpus pode experimentar.

A Dor Crônica no Lúpus Eritematoso Sistêmico

Existem muitas causas potenciais de dor no LES. Muitas pessoas com LES têm fibromialgia secundária e ocasionalmente apresentam dor generalizada como manifestação inicial. O envolvimento de outros órgãos pode ser doloroso, como a pleurite ou pericardite. Também pode ocorrer envolvimento do sistema neurológico e criar neuropatia periférica dolorosa ou síndromes de cefaleia.

O fenômeno de Raynaud – condição médica que consiste em espasmo das artérias com episódios de redução do fluxo sanguíneo – ocorre em muitas pessoas com LES e pode ser doloroso. A necrose avascular é uma complicação frequente tanto do LES quanto de seu tratamento, uma vez que a terapia com glicocorticoides aumenta o risco dessa complicação, envolvendo mais comumente quadris, ombros e joelhos, embora outras articulações possam estar envolvidas.

Tipos de Dor Crônica no Lúpus

Até 95% dos indivíduos com lúpus relatam dor nas articulações (artralgias) e dores musculares (mialgias). Os pacientes relatam uma diversidade de condições de dor, que também inclui sintomas como dor lombar e distúrbios da articulação temporomandibular (ATM).

É importante ter em mente, no entanto, que a dor nem sempre se correlaciona com a inflamação. Às vezes, até mesmo a dor em si não tem uma relação direta com o lúpus. A dor pode ser o resultado de outros problemas de saúde ou lesões, se os medicamentos prescritos para o lúpus não reduzirem o desconforto. É importante sempre falar com o profissional de saúde quando sentir que seus medicamentos não estão funcionando ou se tiver sintomas novos ou agravantes.

Desafios do Tratamento da Dor Crônica no Lúpus

Um dos principais desafios é determinar a origem da dor do paciente. Às vezes, a dor está claramente relacionada ao LES ativo, e o tratamento da inflamação ativa alivia a dor.

No entanto, em muitos casos, a dor é multifatorial; portanto, a abordagem terapêutica também deve ser multidisciplinar. Determinar se a dor é devido à doença ativa pode ser assustador para indivíduos que não estão familiarizados com o LES e suas apresentações e manifestações típicas; há uma tendência a assumir que todas as queixas em pacientes com LES estão de alguma forma relacionadas à doença.

Esta suposição frequentemente produz atrasos em outros diagnósticos médicos e complicações iatrogênicas, especialmente devido ao uso excessivo de glicocorticoides.

Um segundo grande desafio é que ainda existem poucos estudos e não há diretrizes publicadas que abordem o manejo da dor e da artrite no LES. A partir de 2011, apenas quatro medicamentos foram aprovados pelo FDA para o tratamento do LES. Essas drogas são a aspirina, a hidroxicloroquina e os corticosteróides e o belimumabe – o primeiro medicamento a ser aprovado para tratamento do LES em mais de 50 anos.

Um médico especialista em controle da dor pode determinar a causa da dor em um paciente com LES. A descrição da dor do paciente pode ajudar a determinar se a dor inflamatória está presente e as razões porque o paciente pode experimentar a dor física (e emocional) crônica que acompanha o lúpus.

Fonte: Victor Barboza

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