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Impacto do Lúpus no corpo (Parte 2/3)

TÓPICOS:

11 - OLHOS


As Manifestações Oculares Do Lúpus Eritematoso Sistêmico:

As complicações oculares secundárias ao Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), geralmente aparecem nos pacientes cuja doença encontra-se em atividade. Nesses pacientes, as alterações mais comuns encontram-se na retina, a túnica ou camada mais interna dos olhos. Os delicados vasos retinianos (arteríolas e vênulas) podem apresentar estreitamentos, oclusões, dilatações ou ainda inflamações no seu trajeto. Além disso, podem aparecer hemorragias retinianas, áreas de infarto no tecido, por falta de oxigenação, e edema (inchaço) do disco óptico. Esses achados são detectados pelo exame (mapeamento) da retina – oftalmoscopia indireta- realizado pelo oftalmologista, no qual se dilatam as pupilas.

No segmento anterior do olho (porção mais anterior) podem ser vistos conjuntivite, ceratites (inflamações na córnea), úlceras (feridas) e o aparecimento de vasos sanguíneos, o que causa prejuízo à visão, uma vez que a córnea é um tecido que deve estar sempre transparente. O acometimento mais frequente da doença envolve as glândulas lacrimais (20% dos casos) provocando o desenvolvimento de ceratoconjuntivite sicca, ou olho seco, por redução da produção da lágrima, com sintomas de irritação, secura, olhos vermelhos (Síndrome de Sjögren). Pode haver, mais raramente, ainda o risco de desenvolvimento de esclerite (inflamação da esclera, a porção branca e opaca dos olhos) e irite (inflamação da íris, o tecido colorido dos olhos).

Quando a doença envolve os nervos, pode produzir paralisias que se traduzem clinicamente pelo aparecimento de estrabismo (olho torto) e visão dupla; queda das pálpebras e alterações das pupilas (as “meninas dos olhos”). Caso o sistema nervoso central seja acometido, podem aparecer alterações no campo de visão e até atrofia do nervo óptico (1% a 2% dos casos), com comprometimento grave da visão.

Alguns medicamentos utilizados no tratamento e controle do LES podem causar catarata, glaucoma ou alteração (depósitos) nas células da retina ou córnea. É necessário o acompanhamento por oftalmologista, periodicamente.

DRA. CONSUELO BUENO DINIZ ADÁN
OFTALMOLOGISTA
DIRETORA MÉDICA DO BANCO DE OLHOS
HOSPITAL SÃO PAULO

FONTES CONSULTADAS:

Duane´s Ophthalmology on CD-ROM, 2006 Edition
Harriosn´s – Principles of Internal Medicine , 2008, 17th Edition.
Manual de Condutas em Oftalmologia, 2008 – 1ª edição, Editora Atheneu

12 - ORELHA

O Lúpus pode acometer o ouvido externo, comprometendo pele até cartilagens do pavilhão auricular, provocando inflação intensa do mesmo.

O estudo das doenças imunomediadas do ouvido interno é relativamente novo. Teve início há cerca de quatro décadas atrás, primeiro na Alemanha e posteriormente no Japão, com estudos de Lehnhart1 em 1958, sobre anticorpos anticocleares, e Kikuchi2, sobre a chamada otite do simpático, em 1959. Beichert3, em 1961, observou reações auto-imunes em cortes histológicos da cóclea.

A partir da década de 70 iniciou-se um período de melhor conhecimento das lesões do ouvido interno. A perda auditiva neurossensorial, que até então era vista com reservas por apresentar tratamento pouco recompensador, passou a ser mais bem compreendida graças à realização de inúmeros estudos sobre os mecanismos etiopatogênicos envolvidos4,5,6.

McCabe7, em 1979, relatou 17 casos de perda auditiva neurossensorial que apresentaram boa resposta ao tratamento com corticosteróides. Neste mesmo estudo o autor verificou ainda a presença de respostas alteradas ao teste de migração linfocitária, pressupondo a participação de mecanismo imunológico e, pela primeira vez, o diagnóstico de disacusia neurossensorial autoimune foi apresentado na literatura.

O conhecimento das doenças autoimunes e sua correlação com o quadro de disacusia neurossensorial (DNS) contribuiu de maneira importante na desmistificação deste tipo de perda auditiva permitindo a instituição de tratamento específico.

As doenças autoimunes (DAI) podem ser classificadas em doenças órgão-específicas (primárias) – anticorpos dirigidos aos antígenos de apenas um órgão do corpo, como a tireoidite de Hashimoto, e doenças não órgão-específicas (secundárias) – anticorpos dirigidos aos antígenos de diversos tecidos levando a doença sistêmica, como é o caso do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES).

O ouvido interno pode se situar dentro destes grupos como doença órgão-específica, ou, mais comumente, como órgão comprometido dentro da forma sistêmica, podendo a lesão auditiva ser, neste caso, o primeiro sintoma. O índice de comprometimento do ouvido interno das disacusias auto-imunes sistêmicas é variável. Doig e cols.6 observaram DNS em quase 50% dos pacientes com Artrite Reumatóide (AR). Outros autores correlacionaram mecanismos imunológicos na patogênese de várias formas de comprometimento auditivo, como perda auditiva flutuante, disacusia neurossensorial rapidamente progressiva, surdez súbita, e até alguns quadros do tipo Ménière8,9. (doença da hipertensão endolinfática na cóclea), podendo inclusive afetar o labirinto provocando tonturas.

Devemos lembrar que algumas medicações usadas no LES, como a cloroquina e derivados e alguns diuréticos, podem ser responsáveis por um quadro similar (3).

DR. SILVIO KENITI IWAMURA
OTORRINOLARINGOLOGISTA
IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO

13 - CABELOS

O Lúpus provoca queda de cabelos?

O Lúpus pode provocar queda de cabelo difuso e importante denotando inclusive atividade da doença. As lesões da doença podem causar alopecia cicatricial onde os cabelos não voltam mais.

As medicações usadas no tratamento do Lúpus provocam queda de cabelos?

Medicações como corticóides e imunossupressores podem causar queda de cabelo difuso e não cicatricial.

Quando o Lúpus é controlado nascem novamente os cabelos perdidos?

Os cabelos voltam quando ocorre esta queda difusa, porém não na alopécia cicatricial.

O Lúpus provoca calvície?

Calvície é uma queda de cabelo específica, gerada pela genética de cada um e não tem relação com Lúpus. No entanto, se o indivíduo homem ou mulher tiver tendência para calvície pode evoluir mais rápido.

Quais os cuidados que o portador de Lúpus precisa ter em relação aos seus cabelos?

O modo de prevenir a queda de cabelo associado ao Lúpus é manter o controle da doença. Evitando atividade da mesma controla a queda de cabelo difusa e também as lesões cicatriciais. Não há tratamento específico para a queda de cabelo, mas sim repito o controle da doença.

DRA DENISE STEINER
DERMATOLOGISTA

14 - PELE E MUCOSAS

Que tipo de lesões cutâneas o Lúpus pode provocar?
O lúpus causa avermelhamento na pele e muita sensibilidade ao sol. Aparecem também lesões cicatriciais.

O Lúpus pode provocar manchas na pele?
O Lúpus pode provocar vários tipos de lesões cutâneas, entre elas:- manchas, cicatrizes, bolhas, pápulas. O diagnóstico não é fácil, necessitando de exame clínico minucioso e vários exames laboratoriais. Não é raro que a paciente enfrente uma maratona de testes e consultas antes de receber o diagnóstico preciso. Um vermelhão frequente e persistente, na forma de asa de borboleta (nariz e região malar), pode ser o primeiro sintoma do Lúpus Eritematoso Sistêmico.

O Lúpus pode provocar escamação?
Sim

O Lúpus pode provocar erisipela?
Não. A erisipela é uma doença infecciosa da pele e tecido subcutâneo causada por bactéria.

O Lúpus pode provocar a perda da cor da pele?
Não.

O Lúpus pode provocar feridas na pele?
Sim.

O Lúpus pode causar coceiras na pele?
Sim. As lesões do Lúpus Eritematoso Crônico Discóide tem alguma coceira e dolorimento.

O Lúpus pode provocar micoses?
Não. Micose é uma doença de pele causada por fungos, que são micro organismos bem adaptados a locais quentes e úmidos. O incômodo da micose pode aparecer em qualquer parte da pele, unhas, couro cabeludo e até mesmo os pés.

O Lúpus pode provocar dermatite?
Sim. As lesões são inflamadas.

O que pode piorar as lesões na pele ao portador de Lúpus?
Sol e luz. Nas áreas expostas ao sol há maior número de lesões, mas no Lúpus Eritematoso Sistêmico podem aparecer lesões chamadas “vasculite” que deixam as mãos e pés arroxeados.

Quais danos o Lúpus pode provocar a pele?
Cicatrizes e alopécia definitiva.

Quais os cuidados que o portador de Lúpus precisa ter em relação a sua pele?
O filtro solar não é cosmético para o paciente de Lúpus. Trata-se de uma necessidade vital. O tratamento deve ser feito rigorosamente, com medicação alopática, seguindo o critério do especialista que pode ser o reumatologista, dermatologista ou nefrologista.

15 - PELOS


O Lúpus pode provocar a queda de pelos?
Sim.

As medicações usadas no tratamento do Lúpus provocam queda de pelos?
Não.

Quando o Lúpus é controlado nascem novamente os pelos perdidos?
Depende do tipo de queda.

Quais os cuidados que o portador de Lúpus precisa ter em relação aos seus pelos?
Controlar a doença.

DRA. DENISE STEINER
DERMATOLOGISTA

16 - UNHAS


Que danos o Lúpus pode provocar as unhas?
Poucos danos.

O Lúpus pode provocar manchas nas unhas?
Não.

O Lúpus pode provocar a queda das unhas?
Não.

O Lúpus pode provocar micoses nas unhas?
Não.

Quais os cuidados que o portador de Lúpus precisa ter em relação as suas unhas?
Controle da doença.

DRA. DENISE STEINER
DERMATOLOGISTA

17 - BAÇO

Texto em fase de elaboração, sendo escrito pela equipe da Dra. Emilia Inoue Sato, reumatologista e Professora Titular da Disciplina de Reumatologia da UNIFESP.

18 - BEXIGA

O LES pode causar inflamação da bexiga, a chamada cistite lúpica. Esta manifestação é muito rara, mas é importante porque pode levar ao estreitamento da via de saída da urina do rim para a bexiga (estreitamento da junção uretero-vesical) causando acúmulo da urina nos rins, com consequente dilatação, conhecida como hidronefrose, que, quando não tratada, pode causar prejuízo da função renal.

Um outro acometimento da bexiga pode resultar da atividade do Lúpus no sistema nervoso com conseqüente dificuldade de contração da musculatura da bexiga e prejuízo no esvaziamento da bexiga (bexiga neurogênica), facilitando infecção urinária.

Complicações infecciosas também podem ocorrer na bexiga de pacientes com lúpus, como a cistite tuberculosa.

O acometimento da bexiga nos pacientes com Lúpus pode ainda ocorrer em consequência da ciclofosfamida, uma medicação usada no tratamento do Lúpus, principalmente da inflamação do rim (nefrite) devido ao Lúpus. O metabólito da ciclofosfamida é tóxico para a mucosa da bexiga, podendo causar inflamação e até sangramento abundante. Para se evitar esta complicação, é recomendado ao paciente beber bastante líquido e esvaziar a bexiga frequentemente no dia e no dia seguinte em que receber a pulsoterapia com a ciclofosfamida. Além disso, antes da aplicação, geralmente é dado soro na veia para aumentar a quantidade de urina e diluir o metabolito, minimizando seus efeitos colaterais. Os efeitos colaterais da ciclofosfamida na bexiga aumentam com o tratamento por tempo muito prolongado e por isso, o controle médico é essencial, com exames periódicos da urina.

DRA. DEBORAH COLUCCI
REUMATOLOGISTA
ASSISTENTE DO SERVIÇO DE REUMATOLOGIA DO HOSPITAL SÃO PAULO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO-UNIFESP

19 - CORAÇÃO

O Lúpus é uma doença que acomete diversos órgãos do corpo. O coração também pode ser acometido, sendo as suas manifestações muito variadas. O coração é constituído de três partes: o pericárdio (tecido que reveste o coração), o miocárdio (é o músculo do coração), e o endocárdio (a parte que está em contato com o sangue), além das artérias que irrigam o coração, que são chamadas de artérias coronárias. Dessa forma, o Lúpus pode acometer qualquer dessas regiões, sendo a pericardite (inflamação do pericárdio) a manifestação cardíaca mais comum. A inflamação do pericárdio se deve ao mesmo mecanismo que as articulações são acometidas. O sintoma mais comum da pericardite é a dor no peito, que piora quando a pessoa movimenta o tórax ou ao respirar. Muitas vezes, a pericardite vem acompanhada do derrame pericárdico, que é a presença de líquido no pericárdio. Ao controlar a atividade do Lúpus, este líquido (água) é reabsorvido, ou seja, ele volta para o interior dos vasos. Outro achado menos frequente é a inflamação do músculo do coração, chamado de miocardite.

O sintoma principal é a falta de ar, que geralmente é controlada quando o paciente é diagnosticado e recebe a medicação específica para o coração. As artérias do coração também podem ser acometidas nos pacientes com Lúpus. Este acometimento pode levar a dor no peito (angina), que piora quando a pessoa anda, sobe escada, chegando até mesmo ao infarto do miocárdio. Neste caso, a pessoa terá esta mesma dor, mais forte, em repouso, com suor frio e ânsia, sendo necessário procurar imediatamente um pronto-socorro mais próximo.

Pessoas (mulheres jovens) com Lúpus têm mais chance de ter um infarto do que pessoas sem esta patologia. Outra alteração encontrada no Lúpus é a inflamação da parte do coração que fica em contato com o sangue (endocárdio), ou seja, a endocardite, podendo acometer as válvulas do coração. Neste caso, o diagnóstico será dado através do ecocardiograma (ultrassonografia do coração).

Como as manifestações são muito variadas, caso apresente um desses sintomas, dor no peito ao andar, dor no peito ao movimentar o tórax ou ao respirar, coração acelerado em repouso e falta de ar de início recente ao fazer qualquer esforço físico, procure seu médico-assistente para que ele possa esclarecer melhor seu sintoma, e se necessário, encaminhá-lo a um cardiologista.

DR. ADRIANO HENRIQUE PEREIRA BARBOSA
CARDIOLOGISTA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP

20 - ESÔFAGO


Texto em fase de elaboração, sendo escrito pela equipe da Dra. Emilia Inoue Sato, reumatologista e Professora Titular da Disciplina de Reumatologia da UNIFESP.

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